Maior recriação pré-histórica do país celebra 20 anos em Alcalar
28-04-26
A tradicional recriação de “Um dia na Pré-História”, que leva os Monumentos Megalíticos de Alcalar a recuar cinco mil anos, vai ter lugar no sábado, dia 9 de maio, entre as 10h00 e as 18h00. Este ano, a iniciativa assinala 20 anos de realização, integrando também as comemorações do 18.º aniversário do Museu de Portimão.
De referir que, a iniciativa “Um Dia na Pré-História” nasceu da necessidade de encontrar uma forma mais clara de explicar às crianças e jovens como vivia a comunidade pré-histórica nos Monumentos Megalíticos de Alcalar. No âmbito das visitas guiadas com as escolas, integradas no plano anual de atividades da Oficina Educativa, tornava-se difícil transmitir essa realidade apenas através da palavra. Perante esse desafio, o Museu de Portimão criou esta recriação no terreno, apostando numa abordagem prática, com a criação de réplicas de instrumentos e a simulação de atividades do quotidiano, permitindo assim uma compreensão mais real e concreta da vida na Pré-História.
“Um dia na Pré-História” é dirigido às famílias, sendo um convite para que a população descubra o quotidiano do povo residente naquele local durante a Pré-História, mantendo viva a memória coletiva, através da participação em experiências que dão a conhecer as atividades habituais naquela época.
A iniciativa, que se destaca pelo seu nível de adesão, é um sucesso comprovado e mantém uma forte popularidade, o que motivou a atribuição de uma Menção Honrosa em Mediação nos Prémios Património Ibérico, depois de ter sido finalista na categoria de “Melhor Projeto de Mediação”.
Recorde-se que estes Prémios distinguem anualmente as Boas Práticas no sector do Património Cultural Ibérico, reconhecendo entidades e profissionais portugueses e espanhóis que se destacaram pela excecionalidade dos projetos desenvolvidos nos três anos anteriores.
Acesso livre e gratuito a uma verdadeira viagem pelo passado
Idealizado para envolver o público de forma lúdica na vivência de um quotidiano com mais de cinco milénios, a abordagem do Museu de Portimão passa por atividades praticadas naquele território e que garantiram a sua sobrevivência daquela população.
Com essa finalidade, o dia ficará marcado por um conjunto diversificado de ateliês práticos e didáticos, para todas as idades, que levam os visitantes a “vestir a pele” da comunidade pré-histórica que habitou no local.
Ao longo de todo o dia 9 de maio, haverá, portanto, demonstrações de talhe lítico, fabrico de ferramentas e pontas de seta, construção de flechas, técnicas de perfuração de contas de colar, preparação e cozedura de alimentos, fabrico de cerveja pré-histórica, produção de instrumentos agrícolas e adornos, transporte de grandes monólitos e moagem, bem como uma oficina de gravura inspirada nos padrões gráficos das placas de xisto.
Em simultâneo, outras ações tornam “Um Dia na Pré-História” um evento único, tais como as que decorrem no âmbito da arqueologia experimental, vertente que assume um papel central na programação, permitindo aos visitantes assistir e participar em demonstrações de preparação e confeção de alimentos segundo técnicas inspiradas nos modos de vida da Pré-História.
Assim, uma equipa especializada área de arqueologia experimental vai recorrer exclusivamente a instrumentos e técnicas ancestrais para a produção de fogo e a preparação de alimentos sem recurso a utensílios modernos, recriando práticas com cerca de cinco mil anos.
Para recriar um ambiente daquela época, para além das equipas do Museu, participam também o Grupo de Teatro e o Núcleo Musical da Escola Básica e Secundária da Bemposta contribuindo com propostas de animação, que pretendem enriquecer a dimensão pedagógica e interpretativa do evento.
Visitas Orientadas por Arqueólogos
Este ano, o programa inclui visitas orientadas pelos arqueólogos Rui Parreira e Elena Morán, responsáveis pela escavação e estudo do sítio arqueológico. As visitas realizam-se na parte da manhã, com início às 11h00, e à tarde, pelas 15h00 e 16h30. O ponto de encontro é na entrada do edifício do Centro Interpretativo de Alcalar, onde deverão também ser efetuadas as marcações.
A atividade, que regista sempre a elevada adesão de centenas de visitantes, integra um conjunto de ações desenvolvidas desde 2006 pelo Museu de Portimão nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, classificado como Monumento Nacional, com o objetivo de promover uma aproximação da comunidade local ao conhecimento histórico e científico associado a este território.
A recriação é organizada pelo Município de Portimão, através da Divisão de Museus e Património e com a colaboração da Unidade de Cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, das Juntas de Freguesia de Portimão, de Alvor e da Mexilhoeira Grande, a par do Grupo de Amigos do Museu de Portimão.
É um dia de experiências recriadas, tendo como base diversos resultados de estudos científicos realizados no território alcarense por equipas de investigação das Universidades de Estugarda (Alemanha) e Córdoba (Espanha), bem como pelo Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.
Uma história que resiste à passagem do tempo
Situado a poucos quilómetros de Portimão, no interior da freguesia da Mexilhoeira Grande, o lugar de Alcalar foi o espaço escolhido para que se fixasse e vivesse, há cerca de cinco mil anos, uma importante comunidade pré-histórica, defendida por muros, trincheiras e taludes.
Junto às habitações foi edificado um importante conjunto de túmulos megalíticos, permitindo que, através dos vestígios encontrados, se chegasse à atualidade com uma ideia aproximada do modo de vida e das atividades dessa comunidade, bem como as formas de ocupação e utilização do sítio.
A relação desse povo com a morte está, inclusive, patente nas formas de construção dos diferentes tipos de sepulcros, desde as sepulturas coletivas até às especialmente destinadas aos chefes e seus familiares.
Descobertos e explorados a partir de finais do século XIX, os Monumentos Megalíticos de Alcalar estão classificados como Monumento Nacional, encontrando-se atualmente duas dessas estruturas funerárias (VII e IX) abertas ao público, o que permite um contacto direto com os processos e os materiais utilizados na construção.
Em complemento a este importante espaço, o Museu de Portimão, que celebra este ano o seu 18.º aniversário de serviço em prol da memória e identidade do concelho, tem em exposição algumas peças originais encontradas neste povoado, o que permite um melhor entendimento do legado cultural desta comunidade milenar e que merece também uma visita.
Sublinhe-se que o Museu de Portimão não se cinge ao território geográfico da cidade de Portimão, tendo outros núcleos museológicos referentes às diferentes vivências no concelho. Os Monumentos Megalíticos de Alcalar são um destes polos dinamizados por este equipamento cultural do Município de Portimão.
