Escavações subaquáticas do projeto MUSA já começaram no fundo do Arade
25-09-26
O património cultural marítimo e subaquático do estuário do rio Arade, nos concelhos de Portimão e Lagoa, está a ser alvo de uma nova campanha de trabalhos arqueológicos que pretende caracterizar e monitorizar vestígios de naufrágios de diferentes períodos históricos, no âmbito do projeto MUSA - Musealização dos achados arqueológicos do fundo do rio Arade.
Com um investimento de 3,4 milhões de euros, financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o MUSA prevê um conjunto de intervenções destinadas a transformar o património arqueológico subaquático do Arade num recurso para a ciência, educação, cultura e turismo sustentável.
Trata-se de um dos mais relevantes investimentos regionais na valorização do património cultural, dedicado à arqueologia marítima e subaquática, reflexo da concertação de vontades entre instituições nacionais, regionais e municipais: uma parceria entre as autarquias de Lagoa e Portimão, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, Instituto Público, e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve).
A atual campanha decorre até ao próximo dia 4 de outubro. Entre as áreas em estudo destacam-se os sítios Arade B e Leixão da Gaivota, onde têm sido identificados vestígios de naufrágios que remontam à época romana e se prolongam até à época moderna, em zonas reconhecidas como importantes ancoradouros com mais de dois mil anos de história.
Os trabalhos incluem a intervenção em vários sítios com naufrágios, entre os quais o Geo 1, com vestígios que remontam à época romana, o Arade 1, datado do século XVI, e os Geo 5 e Arade 23, do século XIX. Será também estudada a canhoneira Faro, navio da Armada Portuguesa naufragado em 1912 e correspondente, neste conjunto, ao contexto arqueológico mais recente.
Sobre o MUSA:
Dotado de um investimento de 3,4 milhões de euros, financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o MUSA decorre sob responsabilidade de quatro entidades: as Câmaras Municipais de Portimão e Lagoa, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, Instituto Público, e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve).
Regista igualmente a participação da Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património, da Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades, da Administração dos Portos de Sines e do Algarve e da Marina de Portimão. O projeto conta ainda com a colaboração do Centro de Mergulho PortiSub e com a articulação da Capitania do Porto de Portimão.
Na agenda do MUSA destacam-se a reformulação do núcleo de arqueologia marítima e subaquática do Museu de Portimão, a criação de um núcleo museológico em Lagoa e a instalação de uma reserva subaquática visitável. Outras iniciativas previstas são uma exposição nas margens do Arade, a criação de um Museu Virtual e um programa de divulgação dirigido às comunidades locais. Com o projeto também se pretende capacitar a região para a gestão e conservação do património cultural arqueológico marítimo e subaquático.
A área do rio Arade e a sua envolvente marítima constituem uma das zonas de maior sensibilidade arqueológica do país, sendo conhecidos dezenas de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais. O objetivo do MUSA é contribuir para a salvaguarda e conservação dos sítios arqueológicos e para o reforço da atratividade da região, valorizando a relação histórica das comunidades com o rio e o mar.